Manual de Sobrevivência em São Paulo

31 de Outubro de 2007 Por Manoel Netto

Depois de muitas idas e vindas, resolvi fazer esse pequeno Manual de Sobrevivência em Sampa, para ajudar aos incautos a não caírem nas mesmas armadilhas e Manézices que eu já vi ou passei. Divirtam-se, informem-se e se tiverem alguma coisa a adicionar, manifestem-se.

Regra 1: Senso de Orientação

É muito fácil se perder em Sampa. Primeiro porque é grande como a zorra, segundo porque você não conhece (dã) e terceiro porque todo mundo tá perdido naquela cidade. Por esse motivo, tenha muito senso de orientação, ou ande com algo que o valha: bússola, GPS, Google Maps, Guia SP… Saiba sempre os nomes das ruas adjacentes, esquinas, pontos de referência antigos, etc. SP, além de grande, tem bastante rua. Nem taxista conhece tudo.

Aqui cabe uma curiosidade. Em Sampa, muitas vezes uma rua muda de nome ao atravessar uma outra. A Dr Arnaldo muda de nome umas 3 vezes em sua extensão, é uma miséria. A mesma rua, mas muda a p%$## do nome. Pra facilitar.

Regra 2: Informe-se no lugar certo

Fato: paulistano é tudo disléxico e não sabe dar informação. O cara aponta pra direita e fala esquerda; não sabe onde fica determinado local, mas mesmo assim tenta “ajudar” apontando pra algum lugar e dizendo “acho que é por ali” (e normalmente está errado). Quer ter certeza? Pergunte para um taxista - e na quadra seguinte pergunte a outro taxista, só pra confirmar.

Regra 3: Longe ou perto é relativo

Nunca pergunte a um paulistano se tal lugar “é longe” (pergunte “quantas quadras”). Ele sempre vai dizer que é pertinho, logo ali, uns 15 minutinhos de caminhada. Porra nenhuma! É longe pra cacete! Tudo é longe em São Paulo. Então, se o cara disser que é “logo ali”, prepare-se pra uns 20 minutos de andada; se for “perto” pegue um ônibus; se for “mais ou menos perto” ou “até dá pra ir andando”, vá de metrô. Se informe antes, faça mapas, etc.

Fundamental: nunca pegue um taxi se você puder pegar ônibus ou metrô. Se estiver com tempo disponível, principalmente. Taxi apenas em emergências. Ah! E mesmo nas emergências, evite o taxi em horário de pico. PS: Essa dica não é pra você, playboy.

Regra 4: Prepare o bolso

Não se engane. Em São Paulo tudo é caro. Do prato principal à sobremesa. Não fique mendingando mixaria, mas se estiver passeando mesmo, vai andar. Tem muita coisa bacana pra se conhecer à pé.

Regra 5: Fique sempre ligado

Pergunte aos seus amigos os locais onde você pode andar “na boa” e quais os preferidos dos meliantes. De táxi, coloque sua mochila (você não tem “malinha”, né?) com o notebook no chão. Nada de deixar no colo, ô Mané! Motoqueiro do seu lado, vidro levantado.

Regra 6: Ladeiras, muitas ladeiras

Quando um paulistano falar “você sobe a Tietê”, ele quer mesmo dizer que você vai subir. Prepare-se para encontrar muitas ladeiras em Sampa. Eu já ouvi muita gente reclamar que em Salvador tem muita ladeira, mas nunca vi tantas como em Sampa.

Regra 7: Bônus! Hotéis com desconto cultural

Alguns hotéis dão belos descontos quando você apresenta algum ingresso de cinema ou teatro. Sua diária pode sair 30, 40 reais mais barata e você vai gastar menos de 10 num teatro no Sesi, por exemplo (o último que fui, paguei 3 reais). Vale muito mais você pegar um hotel melhor, bem localizado, com cama kingsize e pagar 15 reais a mais que uma diária no Formule 1. Informe-se sempre quando ligar sobre descontos culturais.

Dica da Lu Monte: Hotel Mercure, Diária Cultural (de R$220, por R$110, café incluso).

Regra 8: Conexão Wi-Fi

Seu hotel não te dá conexão de Internet por conta? Não pague por isso o absurdo que eles cobram. Vários cafés em SP possuem conexão Wi-Fi para os clientes (pagantes). Tudo o que você precisa fazer é pedir um café ;-) e checar seus e-mails na buena. Fique atento porque alguns cafés quando percebem que você está “abusando”, cortam sua conexão. Aí você pede outro ;-).

Regra 9: Programas bacanas e gratuitos (ou quase)

Mencionei o teatro do Sesc, muito bacana e quase sempre com peças a preços populares. Além disso você tem diversas atividades espalhadas na cidade, como feiras, encontros, mostras, exposições, tudo “na faixa”. O Parque do Ibirapuera tem muito programa assim. Procure se informar com seus amigos paulistanos ou nos guias de São Paulo online e faça seu roteiro sem gastar quase nada.

Regra 10: Divirta-se e relaxe

Paulistano é estressado por natureza. Não vai nessa. Tenta acompanhar o ritmo só na velocidade, sem alterar sua paz interior (?) e aproveite tudo o que a cidade pode te oferecer. A vida é bela, o céu é cinza e o ar é seco. Enjoy!

Compare Preços de: MP3, iPod, celulares, notebooks, câmeras no Buscapé.

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10 Comentários em "Manual de Sobrevivência em São Paulo"

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  1. mahrcinha

    31 de Outubro de 2007 - 10:56

    ahahaha muito bom!

    Sobre taxistas, eles RARAMENTE sabem onde é o destino que queremos ir (se não for algo comum, tipo Congonhas, etc)

    - Quero ir pra tal lugar.
    - Mano, não conheço. Perto de onde?
    - Não sei! Só me falaram que é na rua tal, número tal.
    - Meu, é mais pra cima ou mais pra baixo nessa rua?
    - Não sei! Não sou daqui de São Paulo. Só me falaram isso!
    - Então dificulta, meu.

    Aí ele faz uma cara PÉSSIMA, começa a dirigir, vai pelos PIORES caminhos, aqueles mais longos. Resultado: a gente tem que acabar descendo do taxi em qualquer lugar pra procurar a pé mesmo, senão o taxímetro vai longe.

    Sim, estressei na minha última aventura em sampa =D

  2. Elefante Rosa

    31 de Outubro de 2007 - 10:59

    Dicas muito importantes, Manoel. A última (e única) vez que estive em São Paulo, para acompanhar a Futurecom, o medo de sair do hotel (Parthenon, bairro Santana, que hoje mudou de nome, acho) fez com que escolhêssemos o primeiro restaurante para almoçar e morremos com cem pratas.

    Comemos bem em se tratando de qualidade, mas o preço foi salgado e a pressão arterial aumentou com ele. Depois, só o BOBs da Rodoviária e bora pro ônibus.

  3. Ana Kley

    31 de Outubro de 2007 - 11:24

    Uma coisa que é fato em SP é que não dá pra confiar em informação de ninguém, muito menos de taxista, eles estão sempre dizendo que é mais longe para vc desistir e pegar uma corrida com ele. A melhor fonte de informação e a mais confiável, é o CARTEIRO. Procure um que ele vai saber exatamente como chegar no seu destino.

  4. Tarcísio Sassara

    31 de Outubro de 2007 - 12:50

    Muito bom o texto.
    Depois que entendi as linhas do metrô, tudo ficou mais fácil.
    Moro a 4 anos e não volto pro Rio de Janeiro nem que o efetivo do BOPE triplique!

  5. Bertrand Pelletier, o Imperador

    2 de Novembro de 2007 - 18:52

    Ave Seriguela,

    ótimas dicas. Em minha próxima investida em São Paulo, precisarei deste guia.

    Serás contemplado com 3 lindas mulheres, entregue via Fedex em qualquer lugar da Europa Antiga.

  6. Silveira Neto

    2 de Novembro de 2007 - 19:54

    Legal a dica, anotei.

  7. Sugestões de presentes para o Natal » Tecnocracia : Estado Tecnológico

    6 de Dezembro de 2007 - 18:22

    […] ato de pedir informações é um risco e tanto para quem não tem noção de onde está (leia o meu manual de sobrevivência para entender). Esse navegador está com um preço ótimo no Natal, menos de 900 […]

  8. Lucia Freitas

    8 de Janeiro de 2008 - 16:31

    Como é que eu não assinei este site antes, minha gente? Belas dicas, seu Serigüela…
    Só faltou dar a dica principal: quem é amigo da Joaninha tem passe no Albergue :P

  9. Tá, e a conta?

    2 de Fevereiro de 2008 - 20:52

    […] barato e, manezinho em cidade grande com medo da violência que vê na TV da roça e sem um guia de sobrevivência em São Paulo, acabei almoçando num restaurante no bairro Santana - O Costelão - que custou à empresa 50 […]

  10. Wagner Augusto

    2 de Abril de 2008 - 1:27

    Muito util estas orientações,usarei elas no proximo dia,05/04.

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